Valorize os pequenos gestos e reabasteça seus vínculos afetivos

Valorize os pequenos gestos e reabasteça seus vínculos afetivos

Vivenciamos, diante de uma pandemia, uma realidade em que o silêncio se tornou a principal melodia das ruas, e o invisível, também imprevisível, tem-nos convidado a repensar nosso próprio viver, sem deixarmos, todavia, de ter compaixão pelo viver do outro. É inegável, portanto, como nos últimos meses a realidade enfrentada em função da chegada da COVID-19 mudou abruptamente a vida das pessoas e das famílias em todo o mundo.

Pensando nisso, buscamos refletir qual o possível impacto que o isolamento social, enquanto uma medida sanitária de combate à proliferação da doença, trouxe para você que está em tratamento oncológico. Neste contexto, tal situação-limite é uma poderosa forma de cuidar de si e daqueles que ama. Quantas pessoas em tratamento médico não estão precisando se afastar do convívio com um familiar ou um amigo querido, na luta pela sua saúde e pela saúde de outrem?

Devemos nos lembrar, contudo, sem deixar de considerar sua atual importância, que o isolamento social altera significativamente a vida emocional, afetiva e social das pessoas. Temos ciência de que a doença oncológica já impôs mudanças em sua rotina. Provavelmente, houve a alteração de planos; o afastamento dos estudos, do trabalho; o dar-se conta da finitude; o lidar com as marcas no corpo deixadas pela doença/tratamento. Isso tudo revela uma nova e difícil identidade – a de estar doente. [1]

Desse modo, parte da energia que antes era gasta nas relações humanas e em todas as situações que abarcam sua vida precisou ser dedicada ao cuidar de si. Por essa razão, muitos momentos de convívio social foram perdidos, sobretudo quando era preciso estar atento às recomendações médicas sobre os cuidados com a imunidade corporal.

Somada a isso, a reclusão social por ocasião da COVID-19 impõe um ajuste ainda maior em relação à socialização para os que estão em tratamento, muitas vezes, com um afastamento total dos seus entes. Tantas interrupções fazem surgir um tempo de pausa, ao mesmo tempo em que o curso da vida segue, com a reformulação da rotina e de projetos pessoais. O mundo, interno e externo, que você conhecia não é mais o mesmo, diante das duas situações: do adoecimento oncológico e da pandemia do novo coronavírus, o que pode gerar muita angústia e sensação de insegurança.

Estamos nos aproximando da Páscoa, celebração que suscita o compartilhar em família. E o impacto do isolamento pode aumentar a tristeza e, nesse cenário, para muitos, deixar um sentimento de solidão. Se essa é uma situação inédita na vida, é preciso formular estratégias também inéditas, para dar contorno a isso que escapa ao alcance de todos nós. E, se o confinamento atual não é sua escolha, o que você pode escolher viver a partir dele?

A equipe de Psico-Oncologia aponta que a ressignificação do que é vivenciado pode ajudar a reverter os sentimentos presentes. Os avanços tecnológicos nos permitem falar e ver nossos familiares e amigos em tempo real, o que nos mostra que a comunicação com eles não se dá apenas com a presença física.

Cremos que, neste tempo de escassez, a ausência física pode abrir uma possibilidade para que possamos rever os laços de afeto há tempos abalados ou perdidos. Apostamos ainda na valorização da vida. Da nossa vida. De todas as vidas. Então, reflita nos pequenos gestos, em uma mensagem, um telefonema, no envio de uma foto de uma ocasião especial vivida junto. Compartilhe afeto. Enalteça suas relações significativas. E lembre-se: precisamos nos fortalecer e reabastecer nossos vínculos.

Por:  Deborah Melo, Ingrid Raiol e Laura Campos | Psico-oncologistas do Americas Oncologia Integrado
[1] SILVEIRA, I. R. Ao enfrentar a realidade de um câncer. In: Instituto COI. Descobri que tenho um câncer: a importância de cuidar das emoções, 2019.
Disponível em: <https://www.institutoamericas.org/2019/06/25/4097/>.

Intolerância à lactose: é muito simples resolver

Intolerância à lactose: é muito simples resolver

Por Mônica Benarroz – Nutricionista do Grupo COI

A lactose é um tipo de açúcar presente no leite de vaca e em alguns derivados. Esse tipo de açúcar precisa de uma enzima digestiva chamada “lactase” para fazer a digestão no intestino delgado, mas algumas pessoas não conseguem produzir a lactase de forma adequada e por isso não fazem a digestão completa da lactose. Como consequência, elas podem apresentar alguns sintomas indesejáveis como: diarreia, gases intestinais, abdômen distendido e mal-estar. Às vezes, náuseas, cólicas e até sangramento.

Hoje em dia, é muito comum a restrição total de produtos lácteos por causa da intolerância à lactose, mas nem sempre isso é necessário, já que o tipo de restrição (se parcial ou total) dependerá do tipo de intolerância (veja o quadro).

Os sintomas citados podem também ser observados em outras alterações intestinais, como a síndrome do intestino irritável, por exemplo. O modo mais simples e rápido de ajudar no diagnóstico é suspender o leite e os derivados da alimentação por duas semanas e observar se existe melhora ou não dos sintomas. Todavia somente o médico poderá fazer o diagnóstico de modo preciso e seguro.

No caso de intolerância à lactose, o que fazer?

  • Prefira consumir leite e derivados com baixa lactose ou isentos de lactose.
  • Não confunda intolerância à lactose com alergia ao leite. Na maioria dos casos, a intolerância à lactose é leve, e não há necessidade de mudar radicalmente a alimentação.
  • Mantenha uma alimentação balanceada e nutritiva.

Caso você decida eliminar o leite e os derivados da sua alimentação, lembre-se de fazer uma reposição adequada de alimentos ricos em proteína e cálcio, dois nutrientes importantes no leite e nos derivados.

Tipo de intolerancia à lactose O que acontece
Primária Redução natural da produção da enzima lactase após a diminuição do consumo de alimentos ricos em lactose (leite e derivados). Essa condição é mais comum em adultos.
Secundária Produção reduzida da enzima lactase após alguma doença como Celíaca e Crohn ou após tratamentos de radioterapia na região abdominal e de quimioterapia
Congênita Incapacidade de produzir a enzima lactase, percebida em crianças recém-nascidas. É genético e um problema raro.